Mourão diz que Bolsonaro evitará acordos com a 'mulambada' e centrão fica para escanteio

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Candidato a vice-presidente critica política externa dos governos petistas que priorizam africanos e sul-americanos e que, avalia, ‘não resultaram em nada'



O candidato a vice-presidente na chapa de Jair Bolsonaro (PSL), o general da reserva Hamilton Mourão (PRTB), afirmou nesta segunda-feira, 17, em evento do Sindicato da Habitação (Secovi), em São Paulo, que a proposta da chapa é fazer acordos bilaterais com países desenvolvidos, ao invés da realização de acordos com países do Hemisfério Sul.



“Partimos para aquela diplomacia que foi chamada de sul-sul, e aí nos ligamos com toda a mulambada, me perdoe o termo, existente do outro lado do oceano e do lado de cá que não resultaram em nada, só em dívidas, e estamos tomando calote”, afirmou, referindo-se à política externa dos governos petistas, que priorizou países africanos, asiáticos e sul-americanos.

Mulambo é uma palavra de origem africana, usada durante o período escravagista no Brasil para se referir aos negros e ao modo como se vestiam.

“Vamos ter que ter novamente uma diplomacia que nos leve a acordos bilaterais, com aqueles grandes mercados.” Questionado depois sobre o termo ‘mulambada’, ele disse que era “apenas para o auditório ficar mais satisfeito”.
Fraude nas eleições

Mourão disse também que é preciso relevar o discurso do presidenciável sobre uma possível fraude na eleição. O candidato a vice defendeu uma reforma na Constituição.



“Tem que relevar um homem que praticamente morreu, quase morreu, que passou por duas cirurgias graves. O cara está fragilizado, então vamos relevar o que ele disse. Minha posição é que o jogo é esse, nós vamos jogar e vencer no primeiro turno”, disse Mourão a jornalistas.

Neste domingo, 16, Bolsonaro fez uma transmissão ao vivo do hospital Albert Einstein, onde está internado, após ser esfaqueado no último dia 6, em Juiz de Fora (MG), e reforçou sua tese de uma possível fraude no pleito de outubro, afirmando que “não temos qualquer garantia nas eleições”.

Esse tema tem sido recorrente nas declarações do presidenciável. Pouco antes do atentado ele havia voltado a falar sobre o assunto, dizendo que em nenhum outro país do mundo a votação e a apuração são completamente eletrônicas, o que seria um sinal claro da fragilidade do sistema adotado pelo Brasil.
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